Museu do Vidro – um testemunho ímpar da actividade artística vidreira

A Marinha Grande é uma cidade portuguesa do distrito de Leiria que fica à distância de 136 Km de Lisboa. É onde se deve dirigir se quiser reviver a História do Vidro em Portugal, visitando 3 museus que se completam entre si, dando a conhecer opassado, presente e futuro desta industria, tão nobre quanto bela.

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Parque da Cerca

Foi no século XVIII que se estabeleceu definitivamente em Portugal a indústria vidreira, embora já houvesse conhecimento de alguns produtores artesanais desde o século XV. A passagem da produção artesanal para a produção industrial foi muito lenta devido à escassez de combustível na época.

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O Arquivo Municipal contém toda a documentação sobre a indústria do vidro

O industrial inglês Guilherme Stephens instala-se na Marinha Grande em 1769 beneficiando de grande protecção do Marquês de Pombal que incluía doação de subsídios, isenções e lenhas gratuitas do Pinhal do Rei.

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Monumento erguido a Guilherme Stephens em frente do edifício da Câmara Municipal da Marinha Grande. A cidade não esquece o empresário (falecido em 1803) que deu emprego a tanta gente e transformou a sua fábrica numa das mais avançadas da Europa no seu tempo. Todos os seus funcionários tinham acesso a instrução primária e a lições de desenho e música!
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No jardim do Palácio Stephens encontram-se a Biblioteca Municipal (edifício rosa) e a Escola Profissional e Artística da Marinha Grande (edifício amarelo)

Assim surgiu a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande que fez de Portugal, a par com a Inglaterra, país pioneiro na fabricação do cristal (espécie de vidro cujo padrão tridimensional se repete formando uma estrutura com uma geometria específica).

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O maior cálice de Vinho do Porto do mundo! Tem 1,57m de altura, 85,5cm de diâmetro e pesa 140,5Kg. A sua capacidade é de cerca de 160 litros e demorou 6 meses a ser fabricado. Faz parte do Guinness Book of Records desde 2008
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Parte da antiga fábrica

O Museu do Vidro está instalado no Palácio Stephens, no largo com o mesmo nome, que o industrial mandou construir para sua residência. Ao fazermos esta visita tomamos contacto com o passado difícil desta indústria e a forma como contribuiu para o desenvolvimento da região.

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Nesta parede conta-se a História das fábricas de vidro em Portugal
TEATRO
O Teatro Stephens é mais uma homenagem que a cidade faz ao empresário que fez questão de  fazer chegar a cultura aos seus funcionários

A incursão pelo museu começa nos espaços dedicados às exposições temporárias. Quando aqui estivemos decorria uma exposição comemorativa dos 70 anos da revolta dos operários vidreiros que ocorreu em 18 de Janeiro de 1934, contra o governo fascista e a favor da implementação do seu sindicato, na luta contra as más condições de trabalho. Apesar de fracassada e tendo resultado em pesadas represálias, esta revolta deixou sementes de coragem que deram frutos quatro décadas mais tarde, no dia 25 de Abril de 1974.

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Aspecto da sala com a exposição comemorativa da passagem dos 70 anos da revolta dos vidreiros
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Esta luta não vingou mas os ditadores perceberam que a classe operária unida podia ter muita força

“Sopros de Natal” era o nome da exposição que vimos em seguida, com cerca de 160 figuras alusivas ao Natal fabricadas e pintadas de forma artesanal por vidreiros de vários países. Algumas destas peças datam do início do século XIX.

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A sala da exposição “Sopros de Natal”
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Pormenor de algumas das peças em vidro alusivas ao Natal e todas pintadas à mão

Subimos depois ao primeiro piso para apreciar as encantadoras peças de pura arte e bom gosto que, desde o século XVII, fizeram parte integrante da decoração de palácios, castelos e chalés por esse mundo fora e cuja expressão artística e estética é de um valor incalculável!

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O maravilhoso lustre de uma das salas do primeiro piso
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Peças de vidro que eram usadas para fins medicinais
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Peças deslumbrantes e com cores magníficas
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Maravilhosa junção de cor e estética

No segundo andar mostram-se os vários métodos de fabrico do vidro e os utensílios que eram usados. Dá para perceber que era um trabalho muito duro e pesado devido à natureza do material e às altas temperaturas necessárias para fundir a matéria-prima.

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O forno
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Instrumentos de trabalho
FATO
Usos e costumes da época
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Alguns moldes de pequenas peças
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A importância do vidro como embalagem

À medida que vamos avançando dentro do edifício, não nos é indiferente a bela arquitectura neoclássica que caracterizou a sua construção no século XVIII.

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Escadaria no interior do Palácio Stephens. Todas as paredes da casa são forradas com belos azulejos portugueses
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Uma bonita porta de vidro pintado
CUPULA
A cúpula do palácio é feita de gesso trabalhado

No final, passe pelo atelier e oficina onde pode assistir ao vivo à confecção de bonitas peças em vidro colorido e comprar algumas, se assim o entender. O núcleo de museus está aberto de 3ª feira a domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h e a entrada tem o preço simbólico de 1,50€/adultos e 0,75€/ estudantes e séniores. Com o mesmo bilhete pode e deve visitar também mais dois edifícios a poucos passos de distância: são eles, o Museu da Indústria de Moldes e o Núcleo de Arte Contemporânea.

SENHORES
A oficina e loja de souvenirs onde o Sr. Mário Marques (em primeiro plano) e o Sr. José Medeiros (ao fundo) nos exemplificaram a sua arte
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O Sr. Mário mostrou-nos como se dá forma ao vidro e como se introduz a cor
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O Sr. José domina a arte de lapidar o vidro e fez uma demonstração
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Lindas peças de vidro lapidado

O Museu da Industria de Moldes obriga-nos a olhar para o presente e a ver como é que, a partir de 1930 e com a ajuda de novas tecnologias, máquinas e instrumentos mais modernos, se conseguiu evoluir quanto à forma que se deu ao vidro e depois ao plástico.

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Um dos moldes mais conhecidos
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Molde para fazer pequenos bonecos em plástico
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Aspecto da sala com moldes de grande porte

No Núcleo de Arte Contemporânea pode apreciar a exposição de peças modernas e contemporâneas, algumas já premiadas em várias bienais dedicadas à arte de trabalhar o vidro. Para além dos artistas nacionais, também aqui estão expostas algumas peças de conceituados artistas de outras nacionalidades. Na altura estava patente uma mostra temporária de obras do escultor espanhol Pedro García, cujos trabalhos conjugam o vidro com o metal. Muito bonito e colorido.

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A entrada do Núcleo de Arte Contemporânea
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Peças muito criativas
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Não parece mas é vidro com metal
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Aspecto da exposição de Pedro García

A arte de trabalhar o vidro tem um valor extraordinário e as peças que daí resultam podem tornar-se autênticas obras de arte. O vidro é uma fusão de várias matérias-primas, mas sabia que… o vidro derrete apenas quando submetido a uma temperatura aproximada de 1500ºC? E que a sua moldagem se faz quando atinge aproximadamente os 900ºC? E que a sua decomposição total na natureza pode demorar até 1 milhão de anos? Dá que pensar!…

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O saber não ocupa lugar… e nós procuramos aprender sempre algo de novo em cada deslocação que fazemos!

♥ Boa viagem ♥

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