Carteiristas: a praga do turismo. Saiba quem são, como actuam e como nos podemos defender deles

Estamos de férias, vamos passear e estamos felizes. Sim… quando se pensa em viagens, pensa-se sempre em felicidade, entusiasmo e aventura. Mas nem sempre tudo corre bem. Os furtos estão entre as piores coisas que nos podem acontecer em viagem. A aventura fica, mas num outro formato: sem felicidade, sem entusiasmo e deixando-nos afundados em burocracias e preocupações.

A gravidade da situação depende dos valores que são roubados sendo que o mais grave, pelos transtornos que causa, é o furto dos documentos logo seguido dos cartões de crédito e dinheiro.

Nem quero imaginar aquele momento em que procuramos a carteira para pagar uma compra e… Oops! Não está. Começamos a vasculhar a bolsa toda e não encontramos. Começamos a ficar nervosos, as mãos tremem. Pousamos a bolsa no primeiro banco, mesa ou muro que encontramos ou até mesmo no chão e começamos a tirar tudo para fora. Nada! Se estamos acompanhados, começam a dizer:
– Procura na divisão de fora…
– Se calhar está no saco das compras…
– Aonde foi que lhe mexeste pela última vez?
– Vá! Vamos lá perguntar se a encontraram.
E ficamos ainda mais nervosos. Voltamos ao último local onde lhe mexemos e alguém diz: não ficou aqui! E é então que acordamos para a realidade…

“Socorro! Fui assaltado!”

De repente, damos connosco num país longínquo, quiçá de língua estranha, e sem identificação que nos permita o regresso a casa e sem dinheiro que nos permita o sustento.

Os carteiristas são a maior praga do turismo. Hábeis e bem treinados, são autênticos artistas e estragam as férias a milhares de turistas todos os anos e por todo o mundo.

Acham que a história dos treinos em manequins com sininhos é mentira? Pois não é. O verdadeiro carteirista é treinado para não tocar a “carne” e daí não sentirmos nada.

Raramente trabalham sozinhos e em muitos países, incluindo o nosso, existem mesmo máfias, muito bem organizadas, que contratam e dão formação a estes “colaboradores” que têm que, muitas vezes sob coação, apresentar rendimento diário.

Ao longo de dezenas de anos de viagens, sobretudo nas grandes cidades europeias, temos sido regularmente assediadas por carteiristas. Não sabemos porquê. Será por sermos mulheres e nos acharem presas fáceis? Talvez… Até agora temos escapado. Nunca fomos assaltadas.

Daí que, juntamente com os ensinamentos dos nossos muitos Guias de viagem, que até já conhecem as caras dos larápios, temos desenvolvido as nossas próprias estratégias de prevenção e defesa contra carteiristas que resolvemos partilhar com todos vós. Seja em que sítio ou em que situação for, o nosso lema é:

“Aonde há um turista há um carteirista”

É importante realçar que nada neste artigo é ficção. Todas as situações, sejam elas banais ou insólitas, foram denunciadas pelos nossos Guias de viagem ou observadas e experienciadas por nós.

Todas as imagens dos post-it foram montadas por nós de forma a ilustrar os textos, tornando-os mais compreensíveis.

 

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“O momento mais vulnerável do turista”

Chegamos a um lugar maravilhoso e, cheios de entusiasmo, desatamos a tirar fotografias e a filmar tudo o que vemos. Toda a nossa atenção fica concentrada na imagem que aparece naquele vidrinho que se chama lente. Como mostra a imagem, todo o nosso corpo fica à mercê dos carteiristas.

 

 

 

Transporte dos valores

Existem várias maneiras de transportar os nossos valores e cada um usará a que mais lhe agrada e a que mais se adequa ao tipo de turismo que está a fazer. Umas serão mais seguras que outras mas nenhuma é infalível. No fim, tudo depende da nossa atenção e cuidado.

Mochila: uma das formas menos seguras. Alvo fácil quando transportada às costas. Em locais muito movimentados e sobretudo na entrada e saída de transportes devem usá-la virada para a frente. Menos cómodo mas mais seguro.

Mala na mão ou ao ombro: nada aconselhável. Além de ser fácil de roubar ainda permite o roubo por esticão.

Bolsa de cintura: Mais seguro, uma vez que normalmente é usada virada para a frente. No entanto, se lhe derem uns valentes encontrões ao entrar num transporte, nem dá conta que lhe cortaram o cinto e lá vai a bolsinha toda.

Bolsa de cintura para notas: Bastante seguras. Estas bolsas são bem fininhas e podem ser usadas debaixo da roupa dificultando a vida aos carteiristas. No entanto, com o calor e o facto de estarem agarradas ao corpo, podem tornar-se incómodas e o conforto é essencial quando se está a fazer turismo.

Nos bolsos: nada seguro. Os larápios têm os olhos treinados e apercebem-se do volume da carteira seja em que bolso for. Os homens, em particular, colocam muitas vezes a carteira no bolso traseiro das calças. Nossa… vocês são o paraíso dos carteiristas!

Bolsa tiracolo: não sendo infalível, é um dos métodos que nós achamos mais seguros se usada virada para a frente. Não permite o roubo por esticão e sentiria se tentassem cortar a alça. É, normalmente, o que usamos com a alça da bolsa bem ajustada ao corpo.

Como guardar os valores

Nunca juntar os valores todos na mesma carteira. Distribuir o dinheiro, os cartões e os documentos por diversos sítios dentro da bolsa.

Os carteiristas estudam a presa e estarão atentos ao sítio de onde tira a carteira e se o tentarem roubar é a esse sítio que vão.

Dica: Tenha uma carteirinha de serviço com algum dinheiro e um dos cartões (se tiver mais que um) e onde quer que vá só tire essa da bolsa (é essa que os larápios verão e que tentarão roubar). Mantenha o restante dinheiro, cartões e documentos separados em outros sítios diferentes. Quando precisar de reabastecer a carteira com dinheiro não o faça num local público.

 

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Um dos furtos mais banais

Seja num restaurante ou num bar, mesmo que seja só para tomar um copo, nunca deixe os seus haveres fora do alcance da sua vista. Os carteiristas são pacientes e sabem que mais tarde ou mais cedo vai distrair-se. A malinha da imagem já era. Acha que está a salvo nas salas de refeições dos hotéis? Engana-se.

 

 

 

Como detetar um carteirista

Pois! Tudo depende da nossa atenção e, muito importante, do nosso instinto. Nunca se esqueçam que raramente trabalham sozinhos. Em cada situação, procurem que encontram outro ou outros do mesmo género por perto. Deixamos aqui alguns exemplos:

Num espaço cheio de gente, de cada vez que nos viramos vemos sempre a mesma pessoa e às vezes até está a olhar para nós. Note: ninguém anda a fazer turismo para olhar para os turistas.

De noite, está num sítio escuro e sente alguém muito próximo de si e quando se vira essa pessoa começa a tirar fotografias. Oops! De noite sem flash? Aconteceu-nos. Rapidamente detetámos o “colega” e saímos do local.

Desconfia que está a ser perseguido? Vire-se e olhe o sujeito nos olhos. Se for carteirista vai desviar o olhar e vai-se virar para outro lado fingindo que está a ver qualquer coisa. Quando começar a andar volte-se novamente e verifique se ele continua a segui-lo. Umas vezes não desistem facilmente da presa, outras percebem que nós percebemos e afastam-se e outras, coitados, não eram carteiristas.

Num dia de verão, cheio de sol e debaixo de um calor tórrido está a tirar fotografias aos amigos. Um sujeito aproxima-se e amavelmente oferece-se para tirar uma fotografia ao grupo. Que simpático! Mas de casaco e gabardine dobrada no braço? Uhmm… não obrigado.

Anda alguém no espaço só com um mapa na mão? Desconfie. Normalmente os turistas carregam sempre qualquer coisa como uma bolsa, uma mochila, um saco de compras e as inseparáveis máquinas fotográficas e camaras de filmar. Eles não carregam objetos, ou então o mínimo possível, porque precisam das mãos livres.

Se estiver num espaço confinado e repleto de turistas, como por exemplo a Fonte de Trevi em Roma, repare nos olhos de quem está encostado à parede, geralmente com um mapa na mão. Vai ver que não param de olhar para a zona dos bolsos e das malas. Estão a escolher e depois fazem sinal aos “colegas” que andam por ali.

Se meterem conversa consigo, verifique se alguém se aproxima por trás. Pode ser uma manobra de diversão.

Se estiver inserido num grupo organizado e reparar num estranho, perto de si ou dos outros, a ouvir atentamente o que o Guia está a dizer, já sabe… avise os colegas e o Guia. Pessoas normais não se misturam com os grupos e a maior parte nem percebe a nossa língua. Portanto, estão a ouvir o quê?

 

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Todos os disfarces servem

Estamos todos numa roda a ouvir as explicações da Guia de viagem. Junto a nós passa um jovem casalinho com um carrinho de bebé. Tão amorosos! Não fosse a experiência e atenção desta grande profissional só saberíamos quem eram na realidade quando déssemos falta da carteira.

 

 

 

 

Locais de risco

Gares das estações e entrada e saída de transportes públicos. Os encontrões são para disfarçar o furto e você ainda pede desculpa.

Espaços ao ar livre apinhados de turistas como praças, miradouros, etc. A nossa concentração está toda virada para a paisagem e para as fotografias.

Espaços fechados com grande concentração de turistas como museus e monumentos. Muitas pessoas juntas a admirar um quadro ou uma escultura e ninguém consegue ver o que  se passa abaixo da cintura.

Qualquer fila. Seja para os transportes públicos, entrada de museus, espetáculos ou quaisquer outras atrações. Normalmente, pensamos que quem está atrás também está pacientemente à espera. Nem sempre…

Lobbys e salas de refeições dos hotéis. Um lobby de hotel é um espaço público e os carteiristas têm estratégias para se introduzirem nas salas de refeições, especialmente ao pequeno-almoço onde o serviço é buffet. Aproveitam o momento em que as pessoas se vão servir para furtar as bolsas ou mochilas.

Qualquer espaço de refeição como restaurantes, bares, esplanadas, etc. Estão sempre a ver quem está a conversar e distraído em relação aos seus haveres.

Junto aos autocarros dos circuitos organizados, no momento da partida. Muitas malas estão à espera de ser arrumadas na bagageira e ninguém dá conta que “alguém” passa e leva uma.

Locais isolados. Aqui, além de carteiristas, podemos encontrar alguns assaltantes mais perigosos e sem escrúpulos.

 

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Quem iria imaginar?

Entrou numa igreja? Cuidado com quem reza. A primeira fila de bancos pode estar ocupada por “devotos” carteiristas. Ajoelhados e de mãos postas, aguardam pacientemente a aproximação dos incautos turistas. Virados para o altar e de costas para os bancos a ouvir os Guias, os grupos são as presas mais fáceis. Mais uma vez a nossa Guia avisou a tempo.

 

 

 

As nossas estratégias

Se viajar sozinho só pode contar consigo e terá de redobrar os cuidados. Nós viajamos acompanhadas o que nos facilita a logística.

Como não podemos adivinhar quem fala a nossa língua, há muitos anos que temos uma palavra-passe ou senha que só é usada para denunciar a possível presença de carteiristas. No nosso caso optámos por um nome próprio masculino, pouco vulgar, que quando mencionado por uma de nós põe em alerta as outras. Imaginem que a senha é “Alberto”. Quando uma de nós desconfia de alguém, diz: meninas! Alberto à esquerda… ou Alberto atrás… ou atenção aos Albertos… Quando ouvimos o nome nem fazemos perguntas. Recolhemos o material e procuramos outro sítio. A partir daquele momento, se permanecermos no local, somos nós que vigiamos os “Albertos”.

Quando desconfiamos que estamos a ser seguidas, abrandamos o passo ou recuamos deixando os suspeitos passar à frente. Ninguém quer o inimigo nas costas.

Nos restaurantes locais ou dos hotéis nunca deixamos as nossas bolsas penduradas nas costas das cadeiras ou no chão ao nosso lado. Também não ficam numa cadeira vaga da mesa se estiver em zona de passagem. Ou ficam no nosso colo ou numa cadeira da mesa fora da zona de passagem ou pomos debaixo da mesa e entrelaçamos a alça na nossa perna. Se for um buffet, levamos a nossa bolsa quando nos vamos servir ou então vamos à vez ficando sempre uma de nós a tomar conta das coisas.

Quando chegamos a um local lindo mas apinhado de turistas, tiramos fotografias à vez. Fica sempre uma de nós a guardar a retaguarda. Depois trocamos.

Na entrada e saída de transportes públicos a bolsa vai protegida entre os nossos braços e não pendurada.

Muitas vezes alguém se oferece para nos tirar uma fotografia de grupo. Pensamos duas vezes antes de aceitar. E perguntarão: então é melhor não pedirmos para nos tirarem a tal fotografia? Claro que podem pedir, mas… sigam o vosso instinto. Sejam vocês a escolher, não deixem que vos escolham.

Nunca viramos as costas às nossas malas de viagem quando estamos a fazer o check-in ou check-out nos hotéis. Uma de nós fica sempre a guardar. Se estiver sozinho mantenha a mala ao seu lado e não atrás de si.

Quando viajamos em grupo organizado nunca abandonamos as nossas malas no lobby dos hotéis ou ao pé do motorista que as está a arrumar na bagageira do autocarro. Permanecemos no local até que toda a nossa bagagem seja recolhida.

 

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Descubra as diferenças

É frequente os carteiristas andarem com um mapa na mão fingindo que são turistas. A imagem mostra a diferença entre um turista e um carteirista a ler um mapa. O primeiro tem o mapa em baixo para poder comparar com o local onde está e se orientar. O segundo usa o mapa para esconder  a cara. Está a escolher a vítima.

 

 

E por fim…

Muitas outras formas de furtar devem existir e por cada uma que detectarmos os carteiristas inventarão duas. Por isso nunca é demais lembrar para estarem alerta.

É verdade que somos os principais responsáveis e interessados pela protecção dos nossos haveres. Mas se um dia forem assaltados não se culpem. Afinal as vítimas somos nós. Só estávamos a fazer turismo.

Até agora as nossas estratégias têm resultado. Amanhã logo se verá…

E não se esqueça:

“pode sempre encontrar alguém à procura de uma rua de Roma com um mapa de Praga na mão!…”

♥ Boa viagem ♥

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