Palácio do Raio – um guardião de memórias

Este que é um dos mais apreciados edifícios de Braga foi mandado construir em 1754 por João Duarte de Faria, um poderoso comerciante da cidade. André Soares foi o arquiteto escolhido para realizar a obra

em estilo barroco joanino, a corrente artística que vigorava em Portugal no reinado de D. João V.

Os pormenores em granito das janelas e varandas merecem, seguramente, alguns minutos da nossa atenção

As suas lindas janelas e varandas em granito e ferro forjado combinam na perfeição com a fachada revestida a azulejos azuis que ali foram colocados no século XIX. Em 1853 o imóvel foi vendido ao Visconde Miguel José Raio que mandou abrir a rua em frente para que o seu “Palácio do Raio” pudesse ser melhor apreciado.

No hall de entrada do palácio está esta caixa para depósito de ovos. No início do século XX toda a gente tinha muitos ovos. Quem queria, vinha aqui depositar os seus ovos em excesso que serviam para alimentar os doentes ou eram oferecidos aos mais pobres. A caixa tinha água lá dentro e uma rede para que os ovos não se partissem.

Após a sua morte e devido a dificuldades económicas que a família atravessava, o Palácio do Raio passou para a alçada da Santa Casa da Misericórdia. Ali passaram a funcionar alguns serviços do Hospital de S. Marcos, o primeiro da cidade. Em 2015 e depois de um profundo restauro que mereceu o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana em 2016, foi aqui instalado o Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga.

Escadaria e teto no hall de entrada

Ao entrar ficamos logo assoberbados com a beleza da escadaria interior, os seus tetos pintados e a escultura de “O Turco”, o guardião do espaço que nos dá as boas vindas!

Convite para entrar… os azulejos reproduzem cenas da vida quotidiana da época
A escultura “O Turco”

Deste núcleo museológico fazem parte 10 salas temáticas. Ao longo da visita tomamos contacto com o legado artístico que o arquiteto deixou na cidade, seguindo-se salas onde se conta a História da Misericórdia de Braga e das Misericórdias do mundo, dando especial destaque ao apoio aos mais necessitados. Segue-se a exposição de artigos hospitalares, aparelhos e utensílios usados à época nos cuidados médicos.

Porcelanas e pratas
A farmácia

Há também uma exposição de artigos litúrgicos, pinturas, esculturas e alusões à Semana Santa, fortemente celebrada na cidade. Os Arcebispos e Beneméritos da instituição não foram esquecidos e os seus retratos também têm lugar de destaque numa das salas.

Escultura litúrgica “A visitação” em terracota do século XVII
Sala de escultura religiosa
Bonito teto pintado na sala que evoca a Semana Santa

Realmente “quem vê caras, não vê corações” e este notável edifício, que é muito mais do que aparenta, está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1956. O Palácio do Raio encerra aos domingos e segundas-feiras. Nos outros dias pode ser visitado das 10h às 13h e das 14h30 às 18h30. A entrada é livre e é mais uma razão para não dispensar esta visita.

Beneméritos da Misericórdia
Para quem aprecia História e Arte… “Tudo passa, só a arte robusta possui a eternidade”/Théophile Gautier

♥ Boa viagem ♥

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