Cracóvia – a antiga capital polaca

Situada ao Sul da Polónia, Cracóvia é a segunda cidade mais populosa deste país. Com os seus 850 mil habitantes, a encantadora e surpreendente cidade é atravessada pelo Rio Vístula e é o destino perfeito para fazer uma escapadela ao Leste europeu. A História de Cracóvia remonta ao ano 700 quando um sapateiro chamado Krakus se tornou o primeiro Rei do país e que, segundo a lenda, livrou a cidade de uma criatura malévola da qual falaremos mais tarde!

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O Rio Vístula visto das muralhas do castelo

Cracóvia foi a capital da Polónia entre 1038 e 1596. O aumento das transacções comerciais e do poder económico exigiam uma maior proximidade ao Mar Báltico e então, em 1596, o Rei Sigismundo III transferiu a capital mais para Norte, para a cidade de Varsóvia. A cidade foi poupada aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial porque ali foi instalado o Quartel-general do Governo-geral Nazista.

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Igreja e Santuário de Skalka onde estão sepultadas as figuras nascidas em Cracóvia que mais se destacaram no seu país
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Academia de Teologia de Cracóvia

O seu maravilhoso Centro Histórico está dividido em três zonas distintas: a Colina de Wawel, o Núcleo Medieval de Kazimierz e a Cidade Medieval de Cracóvia que deslumbram o visitante com os seus edifícios de estilo gótico, renascentista e barroco, impecavelmente conservados, o que valeu a este conjunto o título de Património Mundial da UNESCO em 1978.

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Pormenor arquitectónico num edifício da cidade

E por que não começar a nossa visita por aqui? A Praça do Mercado ou Rynek Glowny em polonês, é a maior praça medieval da Europa! Nos seus quase 40.000 metros quadrados, realizam-se ao longo do ano vários eventos culturais, artísticos e gastronómicos, sem esquecer a famosa Feira de Natal.

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O Sukiennice no centro da Praça do Mercado

No centro da praça fica o conhecido Sukiennice ou Mercado dos Tecidos, onde tudo se vende desde tecidos a especiarias e peças de couro e, é claro, os souvenirs. O edifício foi inaugurado no século XIII uma vez que, naquela época, se verificou a necessidade de os comerciantes se reunirem todos num único local.

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Interior do Mercado dos Tecidos

No seu piso superior está instalado o Museu Nacional de Cracóvia que possui no seu interior a maior exposição de pintura e escultura da Polónia do século XIX. Está aberto ao público desde Outubro de 1879. O museu abre as portas de terça-feira a sábado entre as 10h e as 18 horas e ao domingo até às 16 horas. Encerra à segunda-feira. O ingresso custa 10 zloty (PLN).

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Entrada para o Museu Nacional de Cracóvia no piso superior do Sukiennice

Em frente da entrada do Mercado está o monumento a Adam Mickiewicz, o maior poeta polaco do século XIX, que foi inaugurado em 16 de Junho de 1898 aquando da passagem do centenário do seu nascimento.

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Monumento a Adam Mickiewicz

Marcando um canto da praça ergue-se a Basílica de Santa Maria construída no século XIV. A sua fachada em tijolos e as torres assimétricas com 62 e 89 metros de altura, não fazem antever o seu magnífico interior.

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Basílica de Santa Maria

Ao longo da sua nave há dezenas de capelas e altares e o tecto estrelado é simplesmente espectacular. O altar de madeira, esculpido por Veit Stoss, com mais de duzentas figuras e 12 metros de altura é o maior da Europa.

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O altar de madeira no interior da Basílica

A Basílica pode ser visitada de segunda-feira a sábado das 11.30h às 18 horas e aos domingos e feriados das 14h às 18 horas, porque durante as missas não são permitidas visitas de carácter turístico. O preço da entrada é de 6 PLN/crianças, 10 PLN/adultos e 8 PLN/séniores.

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O tecto estrelado da Basílica

Num canto oposto da praça e quase despercebida está a pequena igreja de S. Adalberto, construída no século X no local onde S. Adalberto pregava os seus sermões. Foi martirizado na Prússia quando ali se deslocou na sua missão de espalhar o Cristianismo.

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A pequena igreja de S. Adalberto

Num outro extremo da Praça do Mercado ergue-se a torre da antiga Câmara Municipal, cujo edifício foi demolido em 1820 como parte do plano de alargamento da praça. Esta torre construída no final do século XIII, tem 70 metros de altura e está ligeiramente inclinada resultado de uma tempestade ocorrida em 1703. Na sua cave estava instalada a prisão da cidade. Hoje em dia pode ali visitar uma secção do Museu Histórico de Cracóvia e subir à torre. Pode fazer esta visita todos os dias entre as 10.30h e as 18 horas e o ingresso custa 8 PLN.

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A torre da antiga Câmara Municipal de Cracóvia

A Praça do Mercado tem uma grande oferta de esplanadas, cafés e restaurantes e ainda pode aqui alugar uma charrete e fazer um agradável passeio pela cidade, por exemplo à noite quando os monumentos estão iluminados e lhe dão um charme muito especial.

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Passeando de charrete para observar as bonitas iluminações da cidade

Nós almoçámos aqui no Restaurante Hawelka. A decoração era tipicamente polaca e a refeição foi excelente. Experimentámos a “Zurek”, uma sopa muito conhecida na gastronomia polaca que é servida dentro do pão e é feita com natas, cogumelos, enchidos e ovo de codorniz. É deliciosa!

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Entrada do Restaurante Hawelka na Praça do Mercado
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A deliciosa sopa “Zurek”

Depois do almoço e ao pé do restaurante ainda fomos ver a escultura feita por Igor Mitoraj, um escultor polaco que se notabilizou por retratar a anatomia do corpo humano na sua forma mais sofredora.

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A escultura de Igor Mitoraj

Cracóvia é uma cidade que se percorre muito bem a pé e aproveitando esse facto, fomos passear pelas ruas da Cidade Velha. Passámos pelo Planty, o Parque da Cidade, construído no início do século XIX e que os habitantes da cidade usam muito para estar em família ou fazer caminhadas e outras actividades desportivas.

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Fonte de Chopin no Parque Planty

Ao lado do parque está o Palácio Episcopal de Cracóvia onde residiu Karol Wojtyla  enquanto Bispo, Arcebispo e Cardeal da cidade. A sua eleição como Papa deu-se em 1978 tendo ele escolhido o nome de João Paulo II.

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Palácio Episcopal de Cracóvia

Do outro lado da rua está a Igreja de S. Francisco de Assis, construída entre 1237 e 1269 e uma das mais antigas da cidade. A mistura de diversos estilos resulta das remodelações sofridas ao longo dos séculos por causa dos vários incêndios de que foi alvo. Este era um dos lugares favoritos de Karol Wojtyla e por isso, o banco onde se costumava sentar tem o seu nome gravado. A igreja está aberta todos os dias entre as 6h e as 19.45 Horas.

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Igreja de S. Francisco de Assis

Continuando pelas ruas de Cracóvia, não deixe de apreciar a sua arquitectura muito peculiar. Encontramos pelo caminho a Igreja de S. Pedro e S. Paulo, católica romana de estilo barroco, cuja construção é do início do século XVII. Delimitando a sua entrada estão várias esculturas de apóstolos construídas em 1722. A igreja é, desde 2013, o Panteão Nacional para poloneses que se distinguiram nas artes, ciências e cultura. Todas as quintas-feiras nos serviços litúrgicos da manhã, é usado o Pêndulo de Foucault com 46,5 metros e 45Kg, o mais longo da Polónia.

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Igreja de S. Pedro e S. Paulo

Ao lado e ainda na Rua Grodzka, a igreja românica de Santo André é um dos edifícios mais antigos de Cracóvia. A igreja, construída no final do século XI, não só resistiu como também desempenhou um importante papel defensivo durante o ataque Mongol de 1241.

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Igreja de Santo André

Na Via Kanonicza fica o Museu Arquidiocesano Cardeal Karol Wojtyla. Aqui pode visitar o quarto que o padre polaco ocupou neste edifício entre 1951 e 1967. A exposição integra uma rica colecção de pinturas, esculturas e arte sacra dos séculos XIII a XV e ainda uma colecção de vestimentas litúrgicas dos séculos XV a XX. Também aqui pode apreciar alguns presentes com que o Papa foi agraciado e que foram oferecidos ao Museu. Pode fazer esta visita de terça-feira a sexta-feira das 10h às 16 horas e aos sábados e domingos das 10h às 15 horas. Está encerrado à segunda-feira e o ingresso custa 5 PLN.

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Entrada do Museu Arquidiocesano Cardeal Karol Wojtyla

Nesta altura chegamos ao Castelo de Wawel no pequeno monte com o mesmo nome. As suas muralhas medievais suportam as três torres do século XV que ainda se mantêm de pé.

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As muralhas medievais do Castelo de Wawel

Dentro deste complexo começamos por visitar a Catedral Basílica de Wawel com mais de 900 anos de existência e que foi o local escolhido pelos poloneses para coroar os seus monarcas. Foi aqui que Karol Wojtyla celebrou a sua primeira missa como padre em 1946.

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A Catedral Basílica de Wawel

Esta Catedral gótica sofreu várias reconstruções ao longo dos séculos. Foi construída no século XI e destruída por um incêndio em 1305. O seu aspecto actual é resultado da reconstrução que se iniciou ainda no século XIV. Aqui se encontram sepultados os principais monarcas da Polónia assim como alguns heróis nacionais.

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As torres da Catedral que identificam os seus vários estilos arquitetónicos

Na Torre de Sigismundo está o maior sino do país, feito em 1520. Pesa 11 toneladas, tem 2 metros de diâmetro e são precisos 12 homens para o fazer tocar, o que só acontece em ocasiões extremamente importantes como a eleição de um Papa. O seu som pode ser ouvido a 50Km de distância. A Catedral está aberta para visitas de segunda-feira a sábado das 9h às 17 horas durante o verão e até às 16 horas no inverno. Ao domingo o horário é das 12.30h às 16 horas.

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A torre de Sigismundo

Num outro edifício, o Museu da Catedral tem, nos seus dois andares, objectos relacionados com coroações, pertences encontrados em túmulos reais, retratos e objectos usados pelos Bispos e alguns pertences pessoais do Papa João Paulo II. Também aqui encontra o lindo manto de Stanislaw August, último Rei da Polónia (1764-1795). O horário do Museu é o mesmo da Catedral mas encontra-se encerrado ao domingo. O ingresso tem o preço de 12 PLN.

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O Museu da Catedral visto da entrada do Palácio

O Palácio Real foi construído no início do século XVI. Quando a corte real se transferiu para Varsóvia, o palácio passou a ser Quartel-general Nazi de onde partiram as ordens de extermínio do povo judaico. Após a Segunda Guerra Mundial, o palácio foi restaurado e transformado em museu. No seu interior pode ver quadros, tapeçarias, móveis ou mármores que evocam a vida pomposa que levavam os monarcas da época. A ala oriental exibe uma belíssima exposição de tapeçarias e porcelanas. Pode ainda ver exposições de armas e armaduras, jóias e objectos pessoais, canhões e até uma exposição de construções e relíquias do século XVI descobertas depois de escavações feitas nos séculos XIX e XX.

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O Palácio Real

Os pátios do palácio são abertos ao público, mas as exposições têm preços e horários diferentes consoante os temas sendo a tarifa mínima 16 PLN. O horário é todos os dias das 9.30h às 16h ou 17horas. A entrada é gratuita às segundas-feiras de manhã durante o verão e aos domingos todo o dia no inverno.

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Pátio interior do Palácio

Ao longo do jardim do castelo tem serviços de apoio aos visitantes e também cafés e restaurantes com vista para o Rio Vístula.

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Maquete do Castelo
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Um dos restaurantes no espaço interior do castelo

Descendo uma das torres do castelo, vai ter à “Caverna do Dragão”. Está na altura de vos falar da tal “criatura malévola” que mencionámos no início do texto. Esta é uma interessante figura da mitologia polonesa. Conta então a lenda, que o dragão assustava os aldeões destruindo casas e comendo as suas filhas jovens! O Rei Krakus, decidido a resolver este problema de uma vez por todas, preparou um cordeiro com enxofre, colocou-o perto da entrada da caverna e o dragão comeu-o. Logo depois e com uma sede insuportável, o dragão bebeu tanta água do rio que explodiu!

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Torre por baixo da qual se encontra a “Caverna do Dragão”

Na saída da caverna está uma estátua do dragão com 6 metros de altura, feita em bronze e ali colocada em 1972. Este dragão lança fogo, produzido a gás natural, a cada 5 minutos e é o encanto das crianças que por ali passam.

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Estátua do Dragão

Não deixe de visitar o bairro judaico de Kazimierz. Este povo foi o mais martirizado da Segunda Guerra Mundial. A sua velha Sinagoga construída no século XV, tem no seu interior uma divisão do Museu Histórico de Cracóvia que mostra como era a vida deste povo.

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A velha Sinagoga no bairro de Kazimierz

Na Rua Szeroka, a principal do bairro, foi filmada uma parte do filme de Steven Spielberg “A Lista de Schindler”. Aqui há vários edifícios históricos e também bares e restaurantes com ambiente muito agradável.

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Entrada do Restaurante Ariel na Rua Szeroka

Nós jantámos no Restaurante Típico Ariel onde tudo foi fantástico desde o ambiente aconchegante, passando pelos detalhes da decoração e pela comida deliciosa. No fim fomos brindadas com uma espectacular actuação de música ao vivo. Adorámos!

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Detalhes de decoração no interior do Restaurante Ariel
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Actuação ao vivo no fim do jantar: músicos excelentes e voz maravilhosa!

Esta cidade é ponto de partida para a visita obrigatória aos Campos de Concentração de Auschwitz e Birkenau, onde aconteceram as maiores atrocidades contra a Raça Humana. Esta visita está documentada num outro post onde colocámos informações que podem ajudar na sua deslocação a este local.

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Campo de Concentração de Auschwitz

Uma visita a Cracóvia não fica completa sem um passeio às Minas de Sal de Wieliczka que ficam a uma distância de 15 Km da cidade. Com 372 metros de profundidade e 300 Km de galerias, estas minas merecem que se fale delas em pormenor e é isso que faremos num outro post.

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Entrada das Minas de Sal de Wieliczka

Cracóvia surpreendeu-nos pela positiva. Encontrámos uma cidade fiel às suas raízes, mas com muita vontade de acompanhar os tempos modernos. Uma cidade que em 3 ou 4 dias pode deixar marcas profundas na memória do viajante.

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Exposição de trajes típicos da Polónia no interior do Restaurante Hawelka na Praça do Mercado

♥ Boa viagem ♥

Guia prático

♦ Quando ir

Cracóvia apresenta uma mistura de climas que se caracteriza por Invernos muito frios e Verões temperados. Ao viajar para esta cidade deve contar com temperaturas que no Verão variam entre os 12ºC e os 30ºC. Os Invernos são muito rigorosos, com muita chuva e queda de neve. Nesta altura do ano as temperaturas podem descer aos -6ºC e raramente sobem para além dos 2ºC.

♦ Como ir

Não há voos directos de Lisboa para Cracóvia, mas várias companhias aéreas voam para Varsóvia com ligação a voos domésticos para Cracóvia.

♦ O que vestir

Durante o Verão são aconselhadas roupas leves, mas no Inverno o frio é coisa séria. Previna-se com bons agasalhos e calçado adequado, não esquecendo o chapéu para a chuva que cai com frequência.

♦ Alojamento

A cidade de Cracóvia tem uma vasta oferta de alojamentos para todos os gostos e bolsas. Nós ficámos alojadas no Hotel Park Inn by Radisson com excelente serviço, refeições de superior qualidade e perto do Centro Histórico.

♦ Informações importantes

Visite o nosso Guia de Viagem para a Polónia onde encontrará indicações úteis sobre a entrada e permanência no país.

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