Mosteiro de S. Vicente de Fora – homenagem ao padroeiro de Lisboa

A Igreja e Convento de S. Vicente de Fora são uma paragem obrigatória para quem visita Lisboa. Para melhor entendermos a sua história, recuemos até ao ano de 1147 quando D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, prometeu erguer um mosteiro se conseguisse conquistar a cidade aos mouros. O feito concretizou-se e

foi então construído um templo romano fora das muralhas (razão do nome S. Vicente de Fora) em honra de S. Vicente, um Santo muito venerado na cidade.

Igreja e Mosteiro de S. Vicente de Fora

Mais tarde, em 1580, no mesmo local e durante a Dinastia Filipina foi iniciada a construção do que viria a ser um dos mais grandiosos monumentos religiosos da capital de Portugal. O Mosteiro de S. Vicente de Fora e a sua igreja formam um imponente conjunto maneirista cuja construção é pautada pela simplicidade, simetria e equilíbrio.

Nave central da Igreja de S. Vicente de Fora

Durante os séculos XVII e XVIII foram acrescentados riquíssimos revestimentos em mármore embutido e inúmeros painéis de azulejos. Santo António viveu neste mosteiro os seus primeiros tempos como monge. Em 1834 foram extintas as ordens religiosas em Portugal e o edifício passa a pertencer ao Estado. Atualmente acolhe a Cúria do Patriarcado de Lisboa.

Estima-se que existam cerca de 120 mil azulejos dentro do mosteiro, a maior coleção de azulejos barrocos do país e a segunda maior do mundo!
Capela de Santo António

A escadaria de acesso à igreja dá-nos as boas vindas para uma visita, no mínimo, inesquecível! A decoração em mármore e as capelas laterais são de grande beleza. O altar-mor é em estilo barroco e a cúpula com 8 janelas foi construída para substituir o zimbório que ruiu durante o terramoto que abalou a cidade em 1755. O seu maravilhoso órgão data de 1765 e é um dos melhores de Lisboa.

O majestoso altar-mor. Todas as estátuas que ladeiam o altar são em tamanho real
O órgão da igreja é revestido com talha dourada e está colocado por trás do altar-mor

À esquerda de quem sai da igreja encontra-se o mosteiro/museu cujo aceso é feito pelo Pátio das Laranjeiras. No piso térreo, para além da bilheteira, WC e loja de souvenirs, encontra-se a Cisterna construída no século XII e que é o principal vestígio da construção medieval levada a cabo por D. Afonso Henriques.

Loja de souvenirs
A Cisterna armazenava a água da chuva que era utilizada nas lides domésticas do mosteiro

Subindo ao primeiro piso chegamos à Portaria, entrada nobre do mosteiro e um dos espaços de maior beleza, ricamente decorado com mármores, azulejos e pinturas no teto. Na sala seguinte está patente uma exposição sobre a Igreja Lisbonense e os Patriarcas.

A Portaria
Detalhes dos mármores e madeiras nobres da Portaria
Na Portaria, este painel de azulejos retrata a conquista da cidade de Lisboa
Exposição sobre a Igreja Lisbonense e os Patriarcas
Um notável recheio artístico com pinturas dos séculos XVII e XVIII!

Os dois claustros existentes no mosteiro são revestidos com painéis de azulejos que retratam cenas profanas. A Sacristia é considerada o ex-libris do mosteiro. A sua decoração com mármores embutidos do século XVIII com motivos florais é de uma beleza única!

Claustros do mosteiro
O Claustro visto do terraço, com o Rio Tejo ao fundo
Na Sacristia, os cónegos preparavam-se para a missa. Debaixo do chão encontram-se túmulos do século XII dos cavaleiros que ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa. O mobiliário em madeira do Brasil era destinado a guardar as vestes sagradas.
No cimo da porta da Sacristia pode ver-se um magnífico medalhão com a imagem de D, João V, Rei de Portugal de 1706 a 1750

D. João IV, Rei de Portugal, Duque de Bragança e líder da Guerra da Restauração, escolheu o Mosteiro de S. Vicente de Fora para aqui instalar o Panteão Real dos Bragança que foi a última e a maior dinastia da História de Portugal. O Panteão dos Patriarcas está na antiga Sala do Capítulo e nele se encontram quase todos os Patriarcas.

Túmulos do Rei D. Carlos e de seu filho, o Príncipe D. Luís Filipe, assassinados em 1908 por simpatizantes republicanos
Panteão dos Patriarcas
Galeria dos Patriarcas
Capela “Meninos de Palhavã” onde estão os túmulos dos filhos ilegítimos (mais tarde legitimados) do Rei D. João V. Os meninos residiam no Palácio de Palhavã em Lisboa, hoje a Embaixada de Espanha.

No piso 2, a exposição “Fábulas de La Fontaine” conta-nos algumas histórias intemporais do escritor francês, retratadas em belos painéis de azulejos. Vale a pena aceder ao terraço do mosteiro subindo alguns degraus. Aí obtém-se uma das mais belas vistas da cidade a 360 graus podendo observar o Rio Tejo e os navios de cruzeiro que nos visitam, o Castelo de S. Jorge, o Panteão Nacional ou o imenso casario da Cidade das Sete Colinas, com um ângulo de visão muito completo e difícil de obter noutro lugar!

Os 38 painéis de azulejos cada um contendo uma fábula, revestiam as paredes interiores dos arcos dos claustros, que em tempos estiveram fechados. Os arcos são 40, mas dois mantinham-se abertos para circulação.
No terraço… as torres da igreja.

O Mosteiro de S. Vicente de Fora está aberto de terça-feira a domingo entre as 10h e as 18horas. O ingresso é gratuito para crianças até aos 12 anos, adultos/5€ e estudantes e séniores/3€. Não deixe passar a oportunidade de conhecer mais esta pérola da capital portuguesa.

A nave da igreja vista do Coro Alto
Está patente a exposição “Dois mil anos de História” onde se dão a conhecer peças obtidas durante a intervenção arqueológica feita nas imediações do Mosteiro.
A nossa cidade… de Lisboa para o mundo!

♥ Boa viagem ♥

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