Cais Palafítico da Carrasqueira – Património de arquitetura popular

Começo por citar o provérbio português que diz que “a necessidade aguça o engenho”, porque me parece muito apropriado para vos explicar como surgiu e dar-vos a conhecer o local de que vamos falar neste artigo. No distrito de Setúbal, a meio caminho entre

Troia e Alcácer do Sal, vale a pena sair da Estrada Nacional 253 e fazer um pequeno desvio para visitar o Cais Palafítico da Carrasqueira situado em plena Reserva Natural do Estuário do Sado.

Os pontões do cais palafítico estendem-se ao longo de quase 500 metros

A baixa-mar, neste ponto do Rio Sado, é muito marcada deixando a descoberto uma larga extensão de lodo fazendo com que os pescadores tivessem dificuldade em chegar à costa e aos seus barcos.

Pescadores no regresso da faina, tentando chegar ao cais aproveitando uma pequena língua de água na baixa-mar

Em 1950 surgiu a ideia de construir um cais com estacas de madeira que se revelou de grande utilidade para a atividade piscatória da zona que era de grande relevância para a economia local.

A rede de estacas que suportam os pontões do cais palafítico

Até 1960, o Cais Palafítico foi sendo aumentado em função das necessidades transformando-se num labirinto de passadiços de madeira sobre estacas, com pequenas arrecadações onde são guardados os materiais usados na pesca e na manutenção dos barcos.

Um dos muitos armazéns que por aqui se encontram

Este ponto de atração turística em Portugal e único do género na Europa, continua a servir o objetivo para que foi idealizado, dando apoio à apanha de bivalves que abundam por aqui.

A apanha dos bivalves
Baixa-mar
Maré cheia

Ao entrar nos passadiços experimentamos uma sensação de fragilidade que depressa se dissipa. A estrutura oferece segurança e, em 2019, foi alvo de profunda renovação que incluiu a substituição da madeira de algumas estacas, pilares e passadiços. Os pescadores olham para nós com a expressão de quem já está habituado a ver curiosos e amantes de fotografia a passear por ali.

Reserva Natural do Estuário do Sado
A estrutura foi recuperada recentemente

A beleza do local, a serenidade que transmite e o chilrear das aves que montaram aqui o seu habitat, fazem-nos desejar ficar um pouco mais e esperar pelo pôr-do-sol, esse presente com que a Natureza nos brinda diariamente!

Pôr-do-sol no Cais Palafítico da Carrasqueira com a Serra da Arrábida ao fundo

Passeando nos pequenos ancoradouros individuais, ora bailando nas águas, ora presos na lama do Rio Sado, vamos encontrando por ali redes de pesca, âncoras, cestas ou pequenas embarcações já abandonadas que, se pudessem falar, contariam com certeza muitas histórias e que nos levam a sentir que estamos num museu a céu aberto.

Uma âncora que já cumpriu a sua missão, mas… por onde terá andado?
Uma embarcação em fim de vida mas que, com certeza, ajudou ao sustento de algumas famílias…
Redes que já pescaram muito…

A necessidade de transpor a barreira do lodo fez com que o Homem, de modo simples, resolvesse um problema complexo erguendo uma estrutura que até hoje se mantém segura e operacional e que se tornou um ponto turístico obrigatório para um passeio em família.

Esperando a maré-cheia para voltar à faina
“Deus quer, o Homem pensa, a obra nasce”…

♥ Boa viagem ♥

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