Quando visitamos uma cidade, procuramos fazer um roteiro com base nos pontos mais turísticos, os museus mais conhecidos ou os edifícios mais emblemáticos mas, por vezes, somos surpreendidos por este ou aquele elemento que surge no nosso caminho. Foi neste contexto que visitámos a Biblioteca Pública de Nova Iorque situada no cruzamento da 5th Avenue com a W42nd St e muito perto da Central Station.

Milhares de pessoas circulam por esta avenida e acabam tirando uma foto do edifício que é lindíssimo, mas depois seguem caminho. Nada mais errado, até porque a visita é gratuita e, visto de fora, ninguém imagina o deslumbramento que guarda o seu interior!

As suas instalações já foram usadas para filmagens de cenas de alguns filmes e séries bem conhecidas como é o caso de “O Sexo e a Cidade”, “Os Caça Fantasmas” ou “O Homem Aranha”.

Esta biblioteca, uma das maiores do Mundo e a mais importante dos Estados Unidos da América, tem no seu inventário mais de 50 milhões de títulos entre livros, e-books, cd’s, dvd’s, mapas, pergaminhos, jornais, revistas, obras de arte… que estão disponíveis em 370 línguas e dialectos e também em publicações para cegos.

A maioria da colecção está também disponível na Internet, ao alcance dos utilizadores de todo o Mundo. A biblioteca leva a cabo alguns projectos como palestras ou cursos de línguas e disponibiliza cursos gratuitos de alfabetização.

A Biblioteca Pública de Nova Iorque foi aberta ao público em 1911. No dia da abertura estima-se que cerca de 40.000 pessoas a tenham visitado! Nesse primeiro dia, o tempo estimado de espera pelo pedido de um livro foi de 6 minutos, tempo recorde para a época tendo em conta a enorme afluência!!! Hoje em dia o pedido e entrega são simultâneos, apenas precisando de apresentar um documento de identificação. Nenhum exemplar pode sair do edifício.Tanto na entrada como na saída, todos os visitantes estão sujeitos a um controle de segurança.

A escadaria da entrada da biblioteca é ladeada por dois leões que são as suas mascotes e que se chamam Leo Astor e Leo Lenox em homenagem aos fundadores John Jacob Astor e James Lenox, dois nomes que merecem que se saiba um pouco sobre eles.

John Jacob Astor era um bilionário americano, proprietário de vários hotéis, arranha-céus e empresas entre as quais os Caminhos-de-ferro. Era o passageiro mais abastado a bordo do Titanic onde encontrou a morte. James Lenox era um filantropo que amava coleccionar bíblias e livros sobre literatura americana primitiva. Em 1870 mandou construir a Biblioteca Lenox para que as suas colecções estivessem ao alcance de todos. O seu legado foi doado à Biblioteca Pública de Nova Iorque.

O Hall de entrada é apenas uma amostra do que o edifício tem para mostrar. Todo o espaço é construído em mármore branco e com sumptuosos apliques. Não se esqueça de olhar para os tectos com artísticas pinturas!


Ao longo dos corredores há esculturas, obras de arte e fotos que nos vão dando a conhecer a História deste lugar. No interior da biblioteca, o silêncio é palavra de ordem mas isso até nos dá uma boa sensação de paz e tranquilidade, ainda mais porque acabámos de deixar lá fora o reboliço da 5th Av.

Há várias salas de estudo e de leitura ou consulta. Todas foram baptizadas com nomes de celebridades que, de uma ou outra forma, contribuíram para o sucesso da biblioteca.


O salão principal é deslumbrante não só pela sua arquitectura e decoração, mas também pelas suas dimensões! Baptizado com o nome de Rose Main Reading Room, tem 90 metros de comprimento, 24 metros de largura e 16 metros de altura! O seu nome homenageia uma família nova-iorquina que fez, ao longo da sua existência, importantes doações em prol da divulgação da cultura.



Se quiser homenagear alguém que, por qualquer razão, foi importante na sua vida, nesta sala pode fazê-lo. Com uma doação de 5.000 dólares, poderá ver uma placa com uma inscrição da sua autoria ser colocada nas costas de uma das cadeiras aqui existentes. A sua doação contribuirá para suportar os serviços gratuitos da biblioteca e este gesto dar-lhe-á o direito a livre-trânsito vitalício em algumas áreas que estão vedadas aos visitantes.

A sala dos mapas recebeu o nome de Lionel Pincus and Princess Firyal Map Division, que fizeram avultadas doações à biblioteca. A Princesa mantém um programa de educação e protecção do Património Mundial. Aqui podem ser consultados mais de 300.000 mapas e atlas.

A sala Miriam and Ira D. Wallach é dedicada a esboços, fotos e trabalhos impressos que deram origem a grandes projectos e capas de livros. Nesta sala pode ainda consultar mais de 700.000 jornais e revistas. O casal nova-iorquino que lhe dá o nome foi, durante décadas, o maior comerciante do Mundo de celulose, papel e papel de jornal.

Na sala dos manuscritos estão mais de 30.000 exemplares que são frequentemente consultados para investigações políticas, económicas, históricas ou sociais. A sala dos livros raros também desperta muita curiosidade mas para lhes aceder é obrigatório o uso de luvas.

A sala dos catálogos é dedicada a Bill Blass, um grande empreendedor no mundo da moda e que fez uma importante doação à biblioteca da cidade que tanto apreciava as suas obras.

Ao longo dos corredores passamos por salas de estudo (onde os visitantes não podem entrar), a sala de literatura inglesa e americana ou ainda a sala de consulta via Internet. A biblioteca tem também espaços destinados aos utilizadores mais pequenos e ainda uma sala especial para famílias com bebés até aos 12 meses onde os pequeninos podem interagir entre si, manusear livros adequados à sua idade e ouvir música e sons que despertam os seus sentidos e curiosidade! Este espaço tem capacidade limitada pelo que precisa de inscrição prévia.


É fantástico andar pelos corredores e sentir que neste edifício está concentrado tanto conhecimento. Em algumas zonas restritas não é permitido fotografar. Quando passar por aqui não se fique pela foto da praxe… entre, mesmo que seja por pouco tempo. A biblioteca tem o seguinte horário: segundas, quintas, sextas e sábados entre as 10h e as 18 horas, terças e quartas-feiras entre as 10h e as 20 horas e domingos entre as 13h e as 17 horas.

Não se pode falar da Biblioteca Pública de Nova Iorque sem fazer referência ao Bryant Park que lhe fica adjacente e é muito procurado na cidade. Com um extenso relvado onde os populares gostam de vir apanhar sol, aqui também há jogos de mesa à disposição de quem os queira usar, bares, restaurantes e é também local de várias actividades e espectáculos sazonais. O parque está construído por cima da estrutura subterrânea da biblioteca, que abriga um grande depósito de livros ao nível do subsolo.


William Cullen Bryant que dá o nome a este parque, foi um conhecido e acarinhado poeta, político e jornalista americano. Foi durante muitos anos editor do New York Evening Post e grande amigo de Abraham Lincoln.

Durante o Inverno, o Bryant Park transforma-se numa pista de gelo para patinagem e à sua volta realiza-se uma feira de Natal. Não exite… visite Nova Iorque!!!…

♥ Boa viagem ♥
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