Palácio Nacional da Pena – o esplendor do romantismo em Portugal

Se lhe disserem que existe em Portugal um local onde pode admirar todas as tendências arquitectónicas europeias, onde pode usufruir da mais bela vista deste país e que ainda exprime uma boa parte da História deste povo… acredite porque é verdade! O Palácio Nacional da Pena, construído no alto de uma escarpa da Serra de Sintra e a pouco mais de duas dezenas de quilómetros de Lisboa, foi considerado no ano de 2015 como o mais belo palácio da Europa, prémio concedido pela organização de turismo “European Best Destinations”.

FACH
O edifício cinzento era o antigo mosteiro
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Daqui avista-se o vale de Sintra e o Oceano Atlântico… talvez a mais bela paisagem do país

Mas para melhor compreender porque devemos visitar esta jóia arquitectónica, vamos recuar no tempo mais precisamente ao início do século XVI. Corria o ano de 1503 e o Rei D. Manuel I andava a caçar na serra quando avistou ao longe a frota de Vasco da Gama que chegava da Índia. Como prova de contentamento e agradecimento divino, o Rei manda construir naquele preciso local um mosteiro que será chamado de Nossa Senhora da Pena. Durante o terramoto de 1755 o mosteiro fica em ruínas salvando-se apenas uma parte da capela.

REAL
Porta que era apenas usada pela Família Real
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Em cada canto encontramos vários estilos arquitectónicos convivendo entre si

Em 1838, o Rei D. Fernando II maravilhado com a Serra de Sintra e as suas paisagens, decide adquirir, com o seu próprio dinheiro, o conjunto composto pelo velho convento manuelino da Ordem de S. Jerónimo, o Castelo dos Mouros e as matas circundantes.

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O Castelo dos Mouros visto do Palácio da Pena

O Rei convida o Barão von Eschwege, um arquitecto alemão muito viajado, para levar a cabo o projecto de construir um palácio, recuperar o mosteiro e criar uma estrutura com caminhos de ronda que ligasse os dois edifícios. O Barão, vendo que esta podia ser a obra da sua vida, usou aqui todos os estilos que conhecia.

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A estrutura de caminhos de ronda que liga os dois edifícios
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Vários e belos azulejos foram usados durante a construção

Inspiração renascentista, neogótica, medieval, romântica, islâmica, árabe, indiana, enfim todas as tendências foram aqui aplicadas! No seu interior utilizaram-se muitos azulejos e obras de autores portugueses e a rica decoração deveu-se ao facto do Rei ser um fervoroso amante de artes e grande coleccionador.

teto
Pormenor do tecto em madeira e estuque no quarto do Rei D. Fernando II
PERU
Algumas peças em porcelana da colecção de D. Fernando II, retratado no prato
PORCELANAS
Obras de arte em porcelana com pormenores muito romanticos

No exterior, em algumas fachadas, o arquitecto também usou azulejos como revestimento para defesa das paredes contra o clima húmido da serra. D. Fernando II, nascido em Viena de Áustria, quis desta forma agradecer a Portugal o facto de ter sido tão bem recebido quando aqui chegou para se casar com a Rainha D. Maria II, por quem terá tido uma grande paixão. A partir daqui, toda a Família Real portuguesa viria a usufruir deste palácio até à Implantação da República em 1910.

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Uma das paredes exteriores revestida a azulejos e uma belíssima janela em estilo manuelino

Façamos agora um intervalo na História e vamos visitar o palácio. Para aqui chegar, apanhamos a carreira 434 na Vila de Sintra que faz o “Circuito da Pena” e circula a cada 15 minutos entre as 9h30 e as 18h30. O bilhete custa 5.50€/ida e volta. A viagem através da Mata da Pena, só por si já é uma antevisão do que vem a seguir.

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Pelos caminhos do parque até ao palácio

Entre o portão e o palácio é preciso vencer alguns metros de rampa através dos jardins mas se preferir, um mini-bus está disponível para fazer este percurso interno de ida e volta pela quantia de 3€.

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Portão de entrada do recinto da Pena

A aproximação ao Palácio da Pena desperta em nós um turbilhão de emoções: o imponente edifício com as suas variadas e improváveis cores e estilos arquitectónicos não deixa dúvidas quanto ao carácter romântico de D. Fernando II.

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Aproximação ao palácio

Antes da entrada chegamos a um pátio muito vistoso com corredores e arcos forrados com azulejos mouriscos. Numa primeira apreciação em volta do palácio e pelos pátios e caminhos de ronda, é fácil verificar a harmoniosa combinação e interligação de estilos que aqui foram aplicados, como se de um catálogo se tratasse!

ARCO
Os arcos mouriscos
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A Porta Férrea que dava acesso a uma pequena ponte levadiça

Na Sala Interpretativa, por baixo de um dos arcos, está patente uma exposição sobre como era o dia-a-dia da Família Real no palácio.

VIDA
Um dos quadros da Sala Interpretativa

A fachada principal do convento foi redesenhada com uma passagem que dá acesso ao Pátio dos Arcos de arquitectura mourisca e de onde se pode admirar todo o vale de Sintra e o Oceano Atlântico.

PATIO
O Pátio dos Arcos

Por cima dessa passagem está uma janela suportada por um Tritão, figura mística meio homem, meio peixe, sentado numa concha e de cuja cabeça saem ramos de videira. Esta figura foi projectada pelo próprio D. Fernando II alegando ser a sua visão da criação do Mundo.

TRITÃO
A janela do Tritão e a passagem para o Pátio dos Arcos
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O interior da bela janela do Tritão dá para a Sala de Fumo

Todas as torres receberam cúpulas inspiradas no estilo manuelino à excepção da torre do relógio.

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Algumas das torres do palácio
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A Torre do Relógio

Um busto do Rei D. Fernando II ladeado por escadas, dá as boas vindas aos visitantes e convida-os a subir ao claustro de dois pisos do antigo convento que foi recuperado e mantido, à volta do qual estão dispostas algumas das principais salas.

BUSTO
Busto do Rei D. Fernando II
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O claustro do antigo mosteiro

A Capela de Nossa Senhora da Pena mantém a sua configuração original do século XVI e o retábulo sobre o altar. De destacar o vitral da janela neogótica que o Rei encomendou para homenagear os Descobrimentos Portugueses.

CAPELA
Interior da Capela de Nossa Senhora da Pena
RETABULO
O retábulo sobre o altar-mor feito em alabastro e mármore negro do século XVI

Ao lado, na sacristia, estão expostas algumas esculturas e objectos utilizados no culto religioso.

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O vitral alusivo aos Descobrimentos Portugueses onde se vê o Rei D. Manuel I, Vasco da Gama, a Torre de Belém, Nossa Senhora da Pena e a Cruz de Cristo
SACRISTIA
A Sacristia

A sala de jantar privada da Família Real ocupa o espaço onde era, anteriormente, o refeitório dos monges. Aqui se encontram serviços de porcelana da Vista Alegre e de Limoges e mobiliário em carvalho.

JANTAR
A sala de jantar privada da Família Real

O precioso centro de mesa em prata foi oferecido pelas senhoras de Paris à Rainha D. Amélia aquando do seu casamento com o Rei D. Carlos I (neto de D. Fernando II) em 1886.

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O centro de mesa em prata com o formato de uma embarcação

Ao longo de todo o palácio, saltam à vista a elegância dos pormenores e os tecidos de grande qualidade.

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Tecto em estuque no quarto de vestir da Condessa d’Edla, segunda esposa do Rei D. Fernando II
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Sala do Telefone criada durante a época do Rei D. Carlos I

Os gabinetes e o quarto do Rei D. Carlos estão agora no lugar onde se encontravam os quartos dos criados, na época dos seus avós. D. Carlos não era muito exigente, mas o seu WC teve direito a todos os requisitos disponíveis na época.

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WC contíguo aos aposentos do Rei D. Carlos I
GABINETE
Gabinete Real

D. Fernando II reservou o piso nobre para os quartos principais. Os aposentos da Rainha dão acesso directo ao terraço, de onde se pode admirar a melhor vista para o palácio e a Serra de Sintra.

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Quarto de D. Fernando II. Posteriormente, estes aposentos foram ocupados pela Rainha D. Amélia
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O Terraço da Rainha com uma vista soberba

Em destaque está um relógio de sol com um pequeno canhão que disparava a cada hora. Infelizmente, D. Maria II pouco usufruiu deste palácio. A Rainha não resiste ao parto difícil do seu 11º filho. Mãe e criança morrem em Novembro de 1853, deixando o Rei mergulhado numa profunda tristeza.

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O relógio de sol no Terraço da Rainha

Ao longo da visita, atravessamos dois corredores de passagem com belas estátuas, obras de arte e peças de colecção do Rei, salas de chá e salas de visitas com tectos cujos trabalhos em estuque são absolutamente deslumbrantes! Os riquíssimos móveis em pau-santo fazem parte da luxuosa decoração.

COLEÇÃO
Um dos vários móveis de madeiras nobres, contendo peças de colecção do Rei e que estão dispostos ao longo dos corredores de passagem
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A sala de chá da Rainha D. Amélia que, junto com seu marido o Rei D. Carlos I (no retrato), foram os últimos habitantes do palácio
VISITAS
A pequena Sala de Visitas cujos frescos nas paredes dão a ilusão de um espaço muito maior

O Salão Nobre é o ponto alto da visita e também a passagem do antigo mosteiro para o palácio novo. Todo o conjunto é de uma beleza indescritível. Desde o tecto às paredes e dos móveis aos objectos expostos, tudo faz lembrar a cultura oriental.

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O Salão Nobre

As portadas exibem uma colecção de vitrais de D. Fernando II e o enorme candelabro foi mandado fazer propositadamente para este espaço.

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As portadas do Salão Nobre exibem lindos vitrais

Na Sala dos Veados, onde salta à vista o belíssimo tecto e paredes trabalhadas em estuque, exibem-se cabeças de veados e outras peças de colecção do Rei. Aqui se realizavam grandes jantares e recepções.

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A Sala dos Veados

Para servir esses banquetes havia a cozinha principal do palácio que tinha três enormes fogões e um forno. Todos os utensílios em cobre estão marcados com a sigla PP (Palácio da Pena) e o monograma coroado de D. Fernando II.

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A cozinha principal do palácio

Mas o Rei não deixou nada ao acaso e, romântico como era, mandou plantar árvores, flores e plantas vindas de todo o Mundo, nos terrenos em volta do palácio. O Parque da Pena tornou-se assim, o local de eleição de toda a realeza para passeios pedestres ou a cavalo.

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O Parque da Pena
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Placas de informação ao longo do parque

Alguns anos depois, conformado com a morte da sua Rainha, o Rei deu por si a pensar que precisava de uma esposa e acaba por casar, em 1869, com a sua amiga de longa data Elise Hensler, Condessa d’Edla. Por essa altura e em sua honra manda construir um Chalé numa zona recatada do parque, ao estilo dos chalés alpinos de onde a Condessa era oriunda. Nesta obra foi usada, predominantemente, a cortiça como material decorativo e de revestimento. Em 1999, um incêndio de origem criminosa destruiu grande parte do Chalé. A empresa Parques de Sintra – Monte da Lua, SA assumiu a sua total recuperação. Esta obra recebeu vários prémios entre os quais, o Prémio União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra 2013, na categoria de “Conservação”.

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O Chalé da Condessa d’Edla

O Palácio e Parque da Pena fazem parte da Paisagem Cultural de Sintra que detém o título de Património Mundial da UNESCO desde 1995. Estes espaços estão abertos todos os dias com o seguinte horário: o Parque entre as 9h30 e as 20 horas e o Palácio entre as 9h45 e as 19 horas. Os ingressos têm o seguinte preço: crianças até 6 anos/gratuito, 14€/adultos e 12.50€/séniores. A visita ao Chalé da Condessa d’Edla tem o custo de 8€.

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Pelos caminhos da História de Portugal…

Aquando da Implantação da República em 1910 e após o assassinato de seu marido o Rei D. Carlos I em 1908, a Rainha D. Amélia foge para o exílio com toda a Família Real. Por esta altura e já sendo propriedade do Estado Português, o palácio é convertido em museu. Em 1945 e após a II Guerra Mundial, D. Amélia regressa a Portugal para visitar o seu local favorito e nós, visitantes, sentimos no ar que toda a Família Real foi feliz aqui… mas também, com tanta beleza e requinte quem não seria?…

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Os detalhes estão presentes em todos os cantos…

♥ Boa viagem ♥

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