Ser turista é ser viajante fora do seu universo habitual e nem todos olham o mundo da mesma forma. Uns gostam de apreciar arquitetura e arte, alguns preferem vaguear pelas ruas e praças, enquanto outros gostam mais de
se sentar numa esplanada e observar o ambiente em seu redor ou então, explorar a natureza do país. Quem nos segue sabe que arquitetura, história e arte são aspetos que não nos escapam quando visitamos uma cidade e, assim sendo, andamos sempre de nariz no ar à procura da torre que nos orienta: “olha, a Catedral é ali!”

Ficámos surpreendidas quando visitámos Dublin, a capital da República da Irlanda, e nos deparámos com duas catedrais, ambas belíssimas! Mas, porquê duas catedrais? Existem poucas cidades no mundo onde isto acontece e aqui, já deu muita confusão e fez correr muita tinta! Durante muito tempo acreditou-se que a Christ Church seria nomeada catedral por ser mais antiga em detrimento de St Patrick, embora esta última fosse mais imponente, mas isso nunca aconteceu.

Este conflito durou décadas até ser criado um tratado entre as duas igrejas que se chamou “Pacis Compositio” e que vigorou entre 1300 e 1870. Os pontos principais do acordo davam conta que a Christ Church era reconhecida formalmente como a igreja-mãe e que os Arcebispos falecidos de Dublin haveriam de ser sepultados alternadamente em cada uma das catedrais, a menos que a sua última vontade ficasse registada em testamento. Também ficou decidido que as duas catedrais deveriam agir como uma única, sempre em conformidade.

Em 1870 a “Igreja da Irlanda” foi dissolvida e estabeleceu-se que St. Patrick funcionaria como Catedral Nacional e que Christ Church seria a Diocese Regional de Dublin. Depois desta breve introdução à História, vamos então conhecer estes dois belos templos de visita obrigatória.

A Catedral de St. Patrick data de 1191 e é a maior igreja do país. Foi construída ao lado do poço onde St. Patrick, padroeiro da Irlanda, batizou os convertidos ao Cristianismo. Em 1370 sofreu um grande incêndio e durante muito tempo ficou abandonada à sua sorte. Em 1860 foi completamente restaurada.


Ao entrar, saltam à vista os coloridos mosaicos do chão. Espalhadas pelo templo de estilo neogótico há um grande número de estátuas em mármore que são consideradas alguns dos melhores exemplares do século XIX.


Estão aqui representados muitos dos cidadãos mais célebres do país. É o caso de Jonathan Swift, o grande escritor irlandês autor da obra “As viagens de Gulliver” e que também foi Reitor da catedral durante mais de três décadas.




A bonita capela de Nossa Senhora foi criada em 1270. Atualmente serve apenas para missas reservadas. Os vitrais das janelas são lindos e conferem muita luminosidade ao local. Ao longo da visita vai encontrar muita informação sobre a História deste país, as lutas que teve que travar e os notáveis que aqui são recordados.


O órgão de St. Patrick é um dos maiores instrumentos musicais da Irlanda. Possui mais de 4000 tubos e foi construído em 1695. O conjunto de sinos da catedral é o décimo mais pesado do mundo! Os sinos tocam regularmente aos domingos e por ocasião das cerimónias de graduação da Universidade de Dublin que aqui têm lugar.


O Monumento Boyle é uma estrutura tumular que Richard Boyle, 1º Conde de Cork, mandou erguer para si e para a sua família em 1632. Os quatro níveis funcionam como uma árvore genealógica. Teve 14 filhos! O seu mais velho, Robert Boyle, foi um ilustre químico e físico que fez várias descobertas científicas importantes.

As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira entre as 9h30 e as 17h e aos sábados e domingos entre as 9h e as 18horas. A entrada é gratuita até aos 5 anos, adultos/11.50€, estudantes e séniores/10€ e crianças/5.50€. Há bilhetes combinados para famílias.


Percorrendo uma distância de apenas 400 metros, entramos na Catedral Christ Church ou da Santíssima Trindade. Quem a vê por fora não imagina a sua beleza interior! Fundada no século XI, foi originalmente uma igreja Viking e é a mais antiga das duas catedrais medievais da capital. Esta é a catedral liderada pelo Arcebispo Católico Romano de Dublin.



Logo na entrada saltam à vista os mosaicos coloridos do chão e a imponência da altura dos arcos. Os vitrais e os relevos também não nos deixam indiferentes e merecem uma apreciação demorada. Neste templo está guardado o coração mumificado de São Lourenço O’Toole, um benfeitor e primeiro Arcebispo de Dublin.





O grande órgão foi construído e instalado em 1984 e ficou internacionalmente famoso, não só pela sua elevada qualidade musical, mas também por terem sido encontrados um gato e um rato mumificados dentro de um tubo do instrumento antigo. Julga-se que terão ficado ali presos durante a fuga e foram apelidados de “Tom e Jerry” medievais!



A catedral tem no subsolo uma famosa cripta do século XII que abriga a exposição “Tesouros de Christ Church”. Aqui encontram-se manuscritos, artefactos, vestes e peças em prata, para além de túmulos e esculturas de figuras importantes.



A catedral tem um campanário com 19 sinos que tocam regularmente aos domingos, feriados, em ocasiões especiais e na famosa celebração de Ano Novo à meia-noite. A Catedral de Christ Church está aberta de segunda-feira a sábado entre as 9h e as 18h. Ao domingo abre das 12h30 às 15h e das 16h30 às 18h30horas. O preço dos ingressos é o seguinte: crianças/4€, adultos/12€ e estudantes e séniores/10€. Praticam-se bilhetes combinados para famílias.

Entre St. Patrick Cathedral e Christ Church Cathedral, qual visitar? Os oitocentos mil visitantes que por aqui passam anualmente, são razão para dizermos que se devem visitar as duas… não há forma de escolher!…



♥ Boa viagem ♥

